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quinta-feira, 14 de maio de 2009

100ª postagem: A Liga Extraordinária


Quem diria! Cheguei a 100ª postagem. Para quem não sabe ainda o que fazer da vida como eu, pelo menos alguma coisa estou fazendo. Agora eu não desistirei mais.

Para coroar esta marca pessoal, recebi hoje no meu e-mail o boletim semanal de lançamentos da Panini Comics como de costume e qual não foi a minha surpresa quando anunciaram o lançamento da Edição Definitiva da Liga Extraordinária, escrita pelo genial Alan Moore e desenhado pelo não menos talentoso Kevin O'Neill.

Esta notícia para mim equivale a um presente de aniversário antecipado, pois mesmo tendo a edição encaderanda da Devir, uma edição definitiva é sempre especial porque geralmente tem um tamanho maior que o normal, acabamento luxuoso e conteúdo extra. Tudo isso obviamente implica num custo maior, que vale muito a pena.

Pra quem não conhece a obra, tata-se da investigação sobre um terrorista que atua no submundo chinês da Londres do final do século XIX, investigado por nada mais nada menos que Mina Murray, Allan Quarteiman, Dr. Henry Jekill, Sr. Edward Hyde, Capitão Nemo e Hawley Griffin. Se você ainda não reconheceu as personagens citadas eu ajudo, Mina Murray é remanescente do romance Drácula (1897) de Bram Stocker, Allan Quarteiman foi criado por Sir Henry Rider Haggard para o livro As Minas do Rei Salomão (1885), Dr. Jekill e Mr. Hyde são protagonistas de O Médico e o Monstro (1886) de Robert Louis Stevenson, Capitão Nemo comanda o Náutilus em 20.000 Léguas Submarinas (1870) de Júlio Verne e por fim Hawley Griffin é o amoral e imoral homem sem sombra de O Homem Invisível (1897) escrito por H. G. Wells.

Alan Moore percebeu que os romances são todos contemporâneos e imaginou as personagens vivendo no mesmo universo e se unindo contra um mal maior que eles, emulando os grupos de super-heróis como Liga da Justiça, Vingadores e X-Men, embora a comparação pare por aí, pois a obra de Moore tem aquela profundidade que todos nós conhecemos, já que em 95% do trabalho do inglês, nada é gratuito, tudo tem um refinamento criativo, difícil de ver na maioria dos quadrinhos.

Moore ainda continuou a lançar outras edições da saga dos extraordinários cavaleiros (o título original é The League of Extraordinary Gentleman). Um volume dois foi lançado, dando prosseguimento ao gancho deixado no final do volume um, e assim como o volume um o dois também foi lançado aqui no Brasil pela Devir. Infelizmente não consegui comprar a tempo e este volume é dificílimo de se encontrar. Também foi lançado um outro volume chamado The Black Dossier, que na verdade serve como ligação entre o segundo e o terceiro volume, que acaba de sair nos Estados Unidos e será dividido em três partes.

Vamos torcer para que a Panini lance todos os volumes, porque esta obra não pode e não deve ficar sem continuação aqui no Brasil, por dois motivos: o primeiro, porque eu sou louco pelas HQ's do inglês e quero ler de qualquer jeito e segundo para não seguir a tradição de tantas outras HQ's seminais que não são publicadas no idioma de Camões.

Só um lembrete muito importante, se você assistiu aquele refugo chamado de filme baseado na Liga Extraordinária, PELO AMOR DE DEUS ESQUEÇA!!! Aquela coisa não tem nada a ver com a HQ, é apenas lixo, enquanto a HQ, mesmo que fosse publicada em papel higiênico, é um luxo.

Fonte: Direto da Redação nº 80, boletim semanal informativo da Editora Panini Comics.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Watchmen Capítulo 2 – “Amigos Ausentes”

Este é o capítulo que narra o enterro do Comediante, morto na edição anterior. Novamente um show de narrativa. Enquanto o comediante é enterrado, o passado é desenterrado por aqueles que conviveram com o politicamente incorreto Eddie Blake. Sally Júpiter, que está numa casa de repouso para idosos na Califórnia, recebe a visita de sua filha Laurie. Olhando algumas fotos e objetos antigos ela relembra o momento no qual foi agredida e quase violentada pelo Comediante em 1940.

No enterro Adrian Veidt, o Ozymandias, relembra sua participação numa reunião de super-heróis totalmente ridicularizada pelo Comediante. Jon Osterman, o Dr. Manhattan, lembra do assassinato cometido por Eddie Blake durante sua passagem na Guerra do Vietnã. Por fim, Daniel Dreinberg, se recorda dos confrontos com a população, durante a greve de policiais na década de 70. Todos têm alguma lembrança do Comediante e nenhuma delas é boa. Porém, todos têm certeza de que sua visão aparentemente distorcida do mundo pode ser a visão correta.

Para finalizar os flashback’s, Rorschach invade a casa de um antigo vilão chamado Moloch, o qual recebeu a visita do Comediante uma semana antes de sua morte. Para Moloch, o Comediante parecia dizer coisas sem sentido e frases desconexas e aí reside o grande charme desta obra. O antagonismo de algumas situações e a sua perfeita conexão.

È recorrente durante a leitura da HQ, nos depararmos com diversas cenas, que diferem do texto inserido nos recordatórios e balões. Quando Sally Júpiter pergunta para a filha se está fazendo sol em Nova York, ela responde que sim, porém o desenho mostra uma chuva torrencial durante o enterro.

O Comediante é amoral, irresponsável, corrupto e mal, porém é o único além do Dr. Manhattan, que enxerga o que pode ocorrer no futuro e isso sem ter superpoderes.

No final deste capítulo, mais um trecho do fictício livro auto-biográfico de Hollis Mason, o primeiro Coruja, contando como foram suas primeiras atuações como super-herói e os encontros com outros heróis, que não eram assim tão maravilhosos como pareciam.

Trecho marcante desta edição: O Comediante incendeia um mapa de combate ao crime feito pelo Capitão Metrópolis durante a tentativa de reunir os novos heróis na década de 70 e dispara: “Acham mesmo que isso tem importância? Acham que resolve alguma coisa? Resolve porra nenhuma. Vou mostrar porque não resolve. Não resolve porque, dentro de trinta anos, vai ter ogiva nuclear voando feito marimbondo e então o Ozzy aqui vai ser o cara mais esperto das cinzas. Agora, com licença. Tenho mais o que fazer.”

Fonte: Watchmen Edição Definitiva - Editora Panini Comics.
Imagens: Google.

sábado, 25 de abril de 2009

Watchmen Capítulo 1 – “À Meia-Noite Todos os Agentes…”

Ontem recebi em casa a edição definitiva da obra prima sobre super-heróis de Alan Moore e Dave Gibbons, Watchmen. Esta deve ser a centésima tentativa de resenhar esta obra também definitiva sobre o gênero, tanto para o bem e quanto para o mal. Para o bem porque juntamente com o Cavaleiro das Trevas de Frank Miller, mostrou aos editores, escritores e desenhistas que os quadrinhos podiam alcançar outros níveis e para o mal porque depois destas duas obras, que venderam horrores e geraram mídia espontânea como nunca tinha se visto desde a criação de Superman e Batman, os executivos encomendaram aos editores que criassem clones deformados dessas histórias com heróis violentos e superficiais que quase afundaram a indústria na década seguinte, tanto é que desde 2000, o próprio Alan Moore produziu histórias que resgatam o charme e a essência dos personagens heróicos.

Apesar de não ter assistido o filme dirigido por Zach Snyder, acho Watchmen cinema puro, por causa de seus ângulos inusitados, sua narrativa sem pressa e simetria ímpar. Logo no começo temos uma narrativa em primeira pessoa extraída do Diário de Rorschach, o personagem que para mim representa o mundo maniqueísta dos super-heróis sempre tão preto e branco até então, mesmo que de forma distorcida e fascista. Seria como se Superman e Batman mantivessem até hoje suas características de justiceiros dos primeiros anos, sendo juiz, júri e executor, sem ter suas personalidades lapidadas durante sete décadas de existência.

Estamos em 1985 e Rorschach nos apresenta todos os personagens principais, investigando o assassinato do Comediante, um dos seus antigos colegas de profissão e um dos poucos que ainda atuavam de forma legal, após a aprovação da Lei Kenee em 1977, ele visita seus ex-colegas e os alerta sobre um suposto matador de mascarados.

Assim ficamos conhecendo, Edward Blake, o Comediante, Hollis Mason, o primeiro Coruja, Daniel Dreiberg, o segundo Coruja, Adrian Veidt, Ozymandias, Jon Osterman, Doutor Manhattan e Laurie Juspeczyk, a segunda espectral, a primeira é sua mãe, Sally Júpiter que será apresentada no momento oportuno.

E com Rorschach e sua visão extremista de justiça que conhecemos o falecido Edward Blake e sua vida secreta como Comediante, um Daniel Dreiberg aposentado, cabisbaixo e frustrado, um Adrian Veidt milionário e aparentemente alheio ao mundo exterior, o impressionante Dr. Manhattan com seu corpo azul e nu e sua namorada Laurie Juspeczyk, nervosa, inquieta e fumando um cigarro atrás do outro.

O primeiro quadro da primeira página deste capítulo, começa com a imagem de um bottom smile (aquele amarelo com um sorriso) próxima a um bueiro em torno de uma poça de sangue, depois um a um os outros quadros vão ampliando a visão da cena. Primeiro vemos mais um pouco da calçada, depois um homem lavando a calçada até chegar no último quadro onde um homem está olhando do alto da janela quebrada de um edifício.

O primeiro quadro da última página começa com um close sobre as mãos de Laurie Juspeczyk e Daniel Dreinberg segurando um botton smile. Da mesma forma que na primeira página, a imagem vai se ampliando aos poucos e no último quadro temos uma visão panorâmica de vários terraços de edifícios. E essa é apenas uma das simetrias ou sincronias desta fantástica HQ.

A cereja do bolo fica para o final, quando temos uma amostra grátis dos dois capítulos da biografia de Hollis Mason, o primeiro Coruja, intitulada Sob o Capuz. Totalmente em prosa e com ilustrações imitando registros fotográficos, conhecemos um pouco mais do passado do aposentado Hollis Mason e como ele começou a usar a cueca por cima da calça.

Diálogo marcante desta edição: Após invadir a casa de Daniel Dreiberg, o primeiro coruja, Rorschach pega uma lata de feijão na geladeira e fica comendo-a tranquilamente até que Dreinberg chega e no meio da conversa acha o Smile com uma mancha vermelha e pergunta: - Esta manchinha é caldo de feijão ou...? Rorschach responde: - Isso mesmo. Caldo de feijão humano. Hah, hah. O distintivo era do comediante. O sangue também.


Fonte: Watchmen Edição Definitiva - Editora Panini Comics.
Imagens: Google.